Desmatamento

EDITORIAL

Pouco antes da divulgação pelo Ministério do Meio Ambiente dos dados sobre o desmatamento no Pantanal, a Ecoa, através de seu diretor executivo, chamou a atenção para a gravidade do problema no texto “Desmatamento no Pantanal: luz amarela”. A base para o alerta foi o levantamento sobre a situação na bacia do Alto Paraguai no Brasil – é compartilhada com Paraguai e Bolívia – realizado pela Ecoa juntamente com outras organizações (Fundação Avina, Conservação Internacional, WWF e SOS Pantanal).

A aceleração do desmatamento verificado nos dois trabalhos tem como motivadores a constituição de pastagens e a produção de carvão para a siderurgia, faces de uma mesma moeda: o carvão permite a geração de recursos para a formação das pastagens. É sabido há tempos que o avanço de pastagens exóticas também tem vinculação com o fim das áreas de Cerrado nas partes altas da bacia. Indiretamente também tem relação com a valorização no preço das terras em várias regiões de solo bom, propício para a cana-de-açúcar, empurrando o gado para outras regiões de terras mais baratas.

O que a Ecoa espera é que os fatos rompam com o mantra de que “o Pantanal está preservado porque a pecuária que ali se desenvolve é ecologicamente correta”. É verdade que parte da atividade adapta-se ao avanço das águas a cada ano e aproveita-se dos capins naturais, mas este quadro tem mudado. Fotos publicadas desde 2005 pela Ecoa mostram desmatamentos imensos na planície inclusive com drenagem de lagoas de formação natural.

É preciso que o mesmo rigor de fiscalização por parte dos governos e reação da opinião publica existente frente ao desmatamento na Amazônia aconteça também com relação ao Pantanal e outras regiões. É esta a proposta que pretendemos levar à ministra juntamente com a Rede Pantanal.