O Desenvolvimento que a Bunge trouxe para o Piauí

Publicado em 17/02/2005

Que modelo de desenvolvimento a Bunge trouxe para o Piauí? Quem está sendo beneficiado? O modelo que a Bunge trouxe e a do desenvolvimento de poucos para poucos. Não inclui os pequenos trabalhadores (as) rurais nem agricultura familiar. Ela é a maior beneficiada e na periferia do negócio estão os cães que comem as migalhas. 

A Bunge veio para o Piauí impondo toda as condições e tendo apoio irrestrito do Governo Estadual, com a promessa de trazer um desenvolvimento até então nunca visto. Tentou ficar no Maranhão, mas não deu certo, pois o toma-lá-dá-cá de lá não agraciou uma das partes envolvidas.  É de se supor que o toma-lá-dá-cá de cá deu certo. Ela veio. E como veio! E está... cometendo as maiores atrocidades.

O Piauí então passou a ser uma opção real, era só atravessar o rio; um Estado pobre, de governantes fracos. Aqui tudo seria possível... burlar a legislação ambiental, financiar políticos para defesa de interesses espúrios e, até torrar o Cerrado usando lenha nativa como matriz energética. 

A partir de 2001 a Bunge inicia suas atividades, com uma benesse de 15 anos de isenção fiscal, significando uma perda de pelo menos 150 milhões de reais por ano para o cambaleante Estado do Piauí. Mas a promessa de empregos e desenvolvimento compensava tal descalabro. E de fato a Bunge gerou empregos... 60 subempregos em sua fábrica no município de Uruçuí fazendo um investimento que chega a monta de 420 milhões de reais... De fato a Bunge gerou desenvolvimento...

Desmatamento em larga escala eliminando toda a biodiversidade e comprometendo as reservas hídricas da bacia hidrográfica do rio Parnaíba... Trabalho escravo em larga escala (pelo menos 3 fazendas respondem a ação na justiça)... Êxodo rural, em Uruçuí e Bom Jesus as populações quase que na totalidade se concentram na sede dos municípios, pois as condições de vida na zona rural se tornaram insuportáveis. Não há espaços para pequenos... Grilagem de terras; na região dos cerrados nestes últimos três anos ocorreu uma verdadeira corrida às terras devolutas, a prática utilizada é a da compra de uma pequena área para em depois incorporar uma maior.

Em 2004 um empresário paulista veio ao Piauí denunciar nos meios de comunicação que havia adquirido 340 mil hectares de terras do próprio Estado...  Para finalizar é bom lembrar que a Bunge não pagou compensação ambiental no valor devido de pelo menos R$ 2.100,000,00. A sua preposta e fornecedora de lenha Graúna assumiu o pagamento de míseros 350 mil reais em módicas 60 parcelas a título desta compensação. Ainda é salutar recordar que os poderes públicos aceitaram este acordo com a multinacional, permitindo que ela continuasse utilizando lenha nativa do cerrado por mais 6 anos, tempo que o cerrado, como patrimônio ds humanidade não passará de um deserto estéril sem nenhuma serventia

A Bunge alardeou de um estrondoso investimento no Piauí. A troco de que?  Será possível, em sã consciência, pensar que é para beneficiar o povo e o Estado do Piauí? E os políticos que avalizam esta brutalidade com o meio ambiente e a sociedade, será que estão tendo algum benefício? Como por exemplo, financiamento de campanhas políticas. Será que a omissão e aceitação por parte do Governo Estadual e órgãos federais representa o jogo da sucessão eleitoral de 2006? Que a Bunge pode fazer retaliações com quem agora não concordar? O fato mais agravante é a posição dos meios de comunicação que não informam de modo imparcial, apenas mostram insistentemente o lado dos favorecidos economicamente, impondo uma pseudo consciência nas massas ignorantes. Será que também estão levando algum benefício da Bunge e do Governo do Estado de modo a não permitir um debate democrático?

Os cerrados do Piauí e o rio Parnaíba estão se esvaindo por conta da brutalidade humana: ganância Bunge e conivência dos poderes instituídos – ISTO É FATO, ISTO É VERDADE! Mas a natureza vai responder, é só esperar. Isto também é fato e verdade.

*Judson Barros é Presidente da Fundação Águas do Piauí – FUNAGUAS