Um paraíso ameaçado, artigo de Ivan Ruela

Fonte: Revista Ecológica, em 26 de janeiro de 2011

Publicado em 02/02/2011
A RPPN SESC Pantanal  é uma reserva particular dotada de grande beleza cênica e de privilegiados recursos naturais. Com 106.782 hectares, é a maior RPPN do Brasil.

Situado na parte norte do Pantanal, a Unidade de Conservação foi reconhecida pelo IBAMA em 1998, como Reserva  Particular do Patrimônio Natural. A área era formada por antigas fazendas de fazendas de gado, entre os rios Cuiabá e São Lourenço, no município de Barão de Melgaço (MT).

Com o objetivo de melhorar o manejo adequado da RPPN, o SESC foi buscar parcerias com pesquisadores de universidades e outras instituições. As intervenções feitas no manejo da reserva foram feitas com mínimo impacto nos ecossistemas ali existentes. Foram construídos 123 KM de cercas nos limites secos da unidade, com abertura de aceiros. As estradas vicinais, existentes há 30 anos, foram recuperadas pela instituição. Hoje já é possível percorrer os 145 km que separam a RPPN da cidade de Cuiabá, asfaltados.

Maior Planície alagada do Planeta, com 160.000 km2, sendo que 140.000 km2 estão localizados no Brasil, nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, e 20.000 km2 no Paraguai e na Bolívia. O Pantanal tem 2,9% de sua área preservada através de unidades de conservação, sendo que quase 25% desse total se localizam no SESC Pantanal.

A integração com a sociedade local também é louvável, com quadro de funcionários oriundos de Poconé e Barão de Melgaço, municípios do entorno da reserva. Os variados passeios promovidos pelo local, através de trilhas, barcos, cavalos pantaneiros, e até aéreos, são verdadeiros atalhos para vislumbrar as maravilhas existentes na região. Árvores como tarumãs e ipês, peixes como o pintado, dourado e o pacu, além de animais como garças, araras, tuiuús, antas, capivaras, jacarés, onças e cobras, podem ser observados nos arredores deste fantástico bioma, onde se localiza a reserva. Em 1997, por exemplo, existiam apenas 15 araras azuis na reserva. Este número passa hoje, de 500 espécimes.

Contudo, alguns problemas de ordem antrópica, trazem danos bastante perversos para a sobrevivência de algumas espécies, alem de afetar a saúde da população local.

O Rio Cuiabá, que já perdeu grande volume de água, além de servir de “lixão” em boa parte da capital matogrossense, chega ao Pantanal com significativas alterações em seu leito, também provocadas pela monocultura de grãos nas cabeceiras, resíduos industriais e minerais, alem de contaminação feita por agrotóxicos, degradando também os solos.

A criação de gado na região, também gera um grande impacto, uma vez que extensas áreas são abertas, afetando a vegetação local. Outro gargalo que pode-se notar ali é a falta de campanhas educacionais, com relação ao atropelamento de varias espécies, que trafegam na Rodovia Transpantaneira.

O SESC Pantanal é um grande avanço ecológico, turístico e social, para a região, atingindo alcance internacional. O poder público, ciente dos problemas hídricos da região, deveria colaborar e fazer parte deste sucesso, através de políticas públicas de saneamento e de gerenciamentos de resíduos, em conjunto com a sociedade civil, e de outras instituições. Os produtores rurais do Pantanal deveriam seguir exemplo dos nativos pantaneiros, utilizando produção de forma racional, poupando os recursos naturais, para que estes tenham vida mais longa, sendo benéficos para o desenvolvimento sustentável da região.

Ivan Ruela é Pós-Graduando em Gestão e Manejo Ambiental em Sistemas Florestais pela Universidade Federal de Lavras-MG. Moderador e Coordenador da REBIA no MT. - Revisor: Bosco Carvalho
IVAN RUELA