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Barra do rio São Lourenço

A denominação “Barra” vem do fato desta comunidade localizar-se a montante de Corumbá (MS), na margem esquerda do rio Paraguai, próximo de onde recebe o rio São Lourenço, na divisa entre os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O acesso somente é possível por barco ou avião, sendo que de barco o […]

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Publicado em 12 de agosto de 2014 às 00:16 Compartilhar:

A denominação “Barra” vem do fato desta comunidade localizar-se a montante de Corumbá (MS), na margem esquerda do rio Paraguai, próximo de onde recebe o rio São Lourenço, na divisa entre os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O acesso somente é possível por barco ou avião, sendo que de barco o tempo de viagem é de mais de 26 horas partindo de Corumbá, o centro urbano mais próximo.

É formada por 22 famílias, sendo que a maior parte delas vivia anteriormente em elevados na margem direita do rio e de lá foram forçadas a sair na década de 1990, para a criação de uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). A partir de 2012/13 tiveram seus direitos parcialmente reconhecidos com a emissão de um Termo de Autorização de Uso Sustentável (TAUS), pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU). Neste mesmo processo conseguiram a emissão de um TAUS coletivo para uma antiga área comum na margem direita. Nela se refugiam e tem acesso à água potável que lhes oferece a Serra do Amolar durante as grandes cheias. O local tem o sugestivo nome de Aterro do Socorro.

As raízes genealógicas da comunidade é uma mescla entre povos ancestrais da região como os índios da etnia Guató e de antigos escravos. Alguns se identificam como descendentes de indígenas, mas todos afirmam que seus ancestrais são nativos.

A coleta de iscas-vivas para a pesca turística é hoje uma das principais fontes de renda, complementada com a pesca artesanal e serviços para os barcos de turismo pesqueiro. Muitos fazem cultivos de subsistência de acordo com a dinâmica de cheias e secas do sub-Pantanal do Paraguai, sendo que as principais espécies cultivadas são a mandioca, o feijão, a melancia e o milho. Pelo menos três famílias colhem o arroz selvagem e outros produtos da biodiversidade para processamento e comercialização. Existe também a coleta de mel de abelhas nativas.

Com essas diferentes atividades a renda média da família varia de R$ 700 a R$ 1000, mas esse resultado, afirmam, “depende do rio”. As casas foram construídas pelos próprios moradores e são, na maioria, de madeira tratada comprada e trazida de Corumbá, um menor numero foram construídas com madeiras locais como o carandá (Copernicia alba). Ainda existem casas de pau-a-pique. As casas são cobertas com telhas do tipo “eternit” ou com palhas de acuri (Attalea phalerata Mart. ex. Spreng) trançadas. Cerca de 70% das casas possuem fossa escavada no solo próximo e mais elevado, mas o sistema passa a ter problemas de funcionamento a cada elevação do nível do rio. Sua fonte de abastecimento de água é o rio e apenas 30% deles fazem tratamento.

A comunidade da Barra do São Lourenço possui uma escola municipal que hoje atende entre 40 e 50 alunos. No entanto, quando criada por volta do ano de 2004 atendeu 120. Em 2007, foi criada uma associação de moradores, a qual é bastante ativa, tendo atuações nas mais diversas frentes de políticas publicas, assim passou a ser uma referência para outras comunidades.

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