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Pesquisador diz que Pantanal está secando em Cáceres

“Estão sendo construídos canais nas áreas que alagavam antes. Se tira essa água, está secando o Pantanal”.

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Publicado em 30 de janeiro de 2017 às 12:36 Compartilhar:

Por Aline Almeida via Jornal Oeste 

 

A ação humana, principalmente a pecuária e o garimpo estariam colocando em risco o Pantanal. A confirmação é do pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Áreas Úmidas (INAU), Abílio Moraes. O pesquisador explica que o Pantanal é um mosaico de diferentes tipos de ambientes e que está sendo descaracterizado pela ação do homem. Um dos resultados negativos é que já foram afetados vários ambientes naturais deste patrimônio da humanidade.

Uma dessas ações, provenientes da atividade pecuária, ocorre quando os proprietários de terras acabam descaracterizando o ambiente. Abílio explica que, por exemplo, hoje o campo de murundu uma vegetação bem comum no Pantanal está sendo desmatada para plantação de pastagem para os gados. “Isso não é sustentável para o Pantanal, deveria dar uso de forma a manter o ambiente, deveria usar a pastagem nativa”, afirma.

Para aumentar as áreas de pastagens, os produtores estariam prejudicando ainda mais os danos ao Pantanal com a drenagem das áreas. Só com imagem de satélite do Google Earth, 111 pontos de drenagem foram detectados, o número segundo Abílio é muito maior. Mas, para ele falta investimento por parte do Estado para mapear essas áreas e conhecer a real situação. O pesquisador diz que hoje a drenagem é bem acentuada principalmente na região de Cáceres causando perca dos ambientes naturais.

“Estão sendo construídos canais nas áreas que alagavam antes. Se tira essa água, está secando o Pantanal. A drenagem esta sendo proliferada no Pantanal e representa uma grande ameaça. Esta sendo elaborada uma minuta para criminalizar o ato. Enquanto não tem esta lei não tem amparo jurídico para punir”, revela.

Outro risco são as plantações que se acumulam nas bordas do Pantanal. Por serem terras mais baratas e também produtivas, os produtores estariam investindo nos arredores do Pantanal. Moraes diz que o receio é que a área inundada seja secada e sirva para o plantio. “Também temos os produtos químicos utilizados nas lavouras. Com as chuvas, os compostos químicos escoam para águas alagadas e afetam a biodiversidade do Pantanal”, ressalta.

Abílio cita ainda um outro impacto que tem contribuído pela descaracterização do Pantanal. A atividade garimpeira, presente principalmente em Poconé, um dos berços do Pantanal, altera solo e subsolo, além de atingir o lençol freático. O risco estaria também porque para extração do ouro utiliza o mercúrio que contamina toda a cadeia e biodiversidade.

“As atividades de garimpo precisam de processo de licenciamento e em muitos casos não exige o que deveria, como por exemplo, o monitoramento para saber se está impactando água, peixes, não ocorre. No final a lei exige que a área seja recuperada, o plano de encerramento da mina, deveria revegetar, criar tanques, mas em muitos casos o empreendedor abandona a área”, diz.

A maior ameaça para Pantanal segundo o pesquisador hoje é a falta de uma legislação específica. “Hoje a lei vigente é o Código Florestal que embasa apenas outros ambientes. Várias áreas que seriam de preservação não são por esta legislação”, confirma.

Abílio frisa que o conhecimento científico para a criação da lei já tem. Mas, falta vontade política de ouvir os cientistas e por em prática a lei.

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