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Projeto avalia efeito das cheias nas comunidades de abelhas e vespas do Pantanal

A descrição detalhada da fauna de abelhas e vespas do Pantanal é importante para a compreensão dos mecanismos reguladores do ecossistema terrestre, como predação e polinização.

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Publicado em 10 de novembro de 2016 às 13:43 Compartilhar:

 Via UFMS.BR

 

Maior planície inundável do planeta, o Pantanal tem nos ciclos anuais de cheia e seca o fator mais importante para determinar as interações ecológicas e os padrões de diversidade na região. Essas variações ambientais interferem na estruturação de comunidades como abelhas e vespas.

 

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Para melhor entender essas relações, o professor Rodrigo Aranda, do Câmpus de Aquidauana, coordena o projeto de pesquisa “Efeito da intensidade e duração das cheias na estruturação da comunidade de Abelhas (Apoidea) e Vespas (Vespoidea) no Pantanal”.

O professor explica que apesar de sua importância, poucos trabalhos enfocando a diversidade e padrões de distribuição das espécies de insetos e outros artrópodes são realizados no Pantanal brasileiro. “Ao longo dos últimos dez anos, durante inúmeras viagens de campo em diferentes regiões do Pantanal e com leituras sobre o tema, fui indagado como vespas e abelhas (Hymenoptera) responderiam a esse regime de inundação”, coloca.

A proposta de pesquisa foi submetida à Fundect como pós-doutorado na modalidade de desenvolvimento científico regional (DCR) com o objetivo de avaliar a diversidade local (alfa), regional (beta) e do bioma do Pantanal (gama) de abelhas e vespas; avaliar o efeito da intensidade e duração da inundação na estruturação da comunidade de abelhas e avaliar a diversidade funcional nas áreas com diferentes intensidades e duração da inundação.

Com a aprovação do projeto em 2015, que terá duração até 2017, já foram realizadas 19 coletas dos exemplares ao longo de todo o Pantanal, nas regiões de Cáceres, Poconé, Porto Jofre, em Mato Grosso; e na porção sul-mato-grossense em Corumbá, Miranda, Aquidauana e Porto Murtinho entre os meses de novembro de 2015 e março de 2016.

“Nesses quase cinco meses foram coletadas abelhas e vespas com auxílio de armadilhas apropriadas e busca ativa com rede entomológica. Os exemplares coletados foram preservados em álcool a 70% até serem triados e processados em laboratório”, explica o coordenador do projeto, que conta com a colaboração de pesquisadores da UFMS, como a professora Camila Aoki (UFMS/CPAQ), integra alunos da graduação do curso de Ciências Biológicas e mantém parcerias com o Instituto Homem Pantaneiro, pousadas e fazendas na região do Pantanal que colaboraram com as autorizações de coleta nas áreas.

Preservação

fig-2-768x543 A descrição detalhada da fauna de abelhas e vespas do Pantanal é importante para a compreensão dos mecanismos reguladores do ecossistema terrestre, como predação e polinização, e quais os efeitos que o ciclo anual de inundação promove sobre a comunidade, enfatiza o professor Rodrigo Aranda.

“Com os dados preliminares sobre a diversidade de abelhas e vespas no Pantanal, já foram registradas 396 espécies sendo registradas mais de 180 espécies de abelhas e mais de 200 espécies de vespas e podemos afirmar que para a região são esperadas mais de 550 espécies”, diz.

Parte das espécies ocorre em outras regiões, como Cerrado, mas existem novos registros de espécies para o estado de MS e até mesmo para o Brasil além de espécies ainda não conhecidas pela ciência.

O professor explica que a inundação é um fator importante na definição de ocupação das espécies. Algumas dessas ocorreram em todas as regiões, caso da espécie exótica Apis mellifera (abelha européia) e das espécies nativas do gênero Trigona (abelha-cachorro, abelha-irapuá).

Já outras foram mais frequentes nas regiões mais secas, como por exemplo, as vespas-da-areia (Crabronidae: Bembix sp) que fazem seus ninhos nos solo e as formigas-feiticeiras ou formigas-veludo (Mutillidae: Traumatomutilla), vespas onde as fêmeas não tem asas e se parecem com formigas) que são parasitóides (suas larvas se alimentam de larvas de outras insetos) de vespas e abelhas que fazem ninhos no solo.

“Com esses resultados começamos a verificar a importância de se preservar diversas áreas dentro do Pantanal para assegurar uma maior diversidade de espécies e que as alterações nos ciclos de inundações naturais que possam a vir ocorrer irão afetar a distribuição das espécies de abelhas e vespas, que são fundamentais para a manutenção de processos ecológicos, como, por exemplo, a polinização”, expõe o coordenador.

Dessa forma, o projeto trabalha com inventários sistematizados das espécies de abelhas e vespas do Pantanal, bem como a descrição da estruturação da comunidade em função da inundação e compreensão da dinâmica da inundação na comunidade de abelhas e vespas, o que poderá servir como potencial ferramenta de predição para futuras alterações dentro do Pantanal.

 


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Fotos: Cedidas pelo professor

 

 

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