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É preciso salvar os rios do Pantanal!

Dia Mundial das áreas úmidas, não temos o que comemorar.

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Publicado em 1 de fevereiro de 2017 às 22:00 Compartilhar:

 

No dia 2 de fevereiro, Dia Mundial das Áreas Úmidas, o Pantanal não tem o que comemorar. O desmatamento para pastagens e plantios de soja e milho, além do uso intensivo de agrotóxicos, destroem os ecossistemas e toda a bacia.  As queimadas se espalham pela planície, mesmo em épocas chuvosas, e nos períodos de seca, cerram os horizontes. Milhares de toneladas de sedimentos tingem os rios de vermelho, como mostram as fotos.

 

As represas, construídas nas partes altas, barram rios que levam vida para a planície, impedem a reprodução de uma grande parte da fauna aquática, levando para os limites da sobrevivência milhares de famílias de pescadores. A pesca, uma atividade sustentável no Pantanal, em  suas diferentes modalidades, é a atividade que mais gera trabalho e renda na região.

Vale ressaltar que partes do Pantanal são reconhecidas como Reserva da Biosfera pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), sendo a terceira maior reserva já criada no mundo.

O Pantanal, com seus 190 mil km2, distribuídos por Bolívia, Paraguai e Brasil, faz parte do maior sistema de áreas úmidas do mundo, o Paraguai-Paraná, com 400 mil km2,também distribuídos pelo Uruguai e Argentina.

O atual modelo de uso da bacia multiplicará os eventos climáticos extremos, trazendo prejuízos para a economia, inclusive para a pecuária adaptada à planície, como já se viu em 2011, quando os danos ultrapassaram os 200 milhões de reais na sub-bacia do rio Miranda.

Nosso grande alerta hoje é para os rios tingidos pelo vermelho da devastação. É preciso recuperar as microbacias.

Lágrimas pelo Salobra e o Pantanal

O Salobra é um dos principais afluentes da margem direita do rio Miranda. Nas suas margens vivem os irmãos Nadir e José Augusto da Silva, pescadores desde sempre. Aqui eles revelam a calamidade na qual o Pantanal se encontra.

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Nadir, ao falar do rio condenado pelo desmatamento, transparece pelo olhar a tristeza que não pode ser contida diante as condições que estão os rios. “De Miranda ao Passo do Lontra, tem muita formação de pasto, plantação de soja, milho e arroz. Os rios estão assoreados por isso. Não tem nem cerca para preservar a beira do rio. A cabeceira do rio Salobra e do Miranda não tem nenhuma proteção. Os desmatamentos na região estão todos autorizados”.

Sua preocupação é com a geração futura, seus filhos e netos, que não terão condições mínimas de sobrevivência no local, se práticas não sustentáveis continuarem a acontecer. Para Nadir, os rios nunca serão como antes. “Quando eu era criança, atravessava o gado pelo rio, minha mãe ajudava com o barquinho de remo e, como pagamento deixavam o charque, farinha… O pai pescava e assim a gente vivia bem. Hoje a situação é assustadora e só deve piorar. Meus filhos não veem mais tanta mata no rio”.

“Estão desmatando tudo pra lavoura”

O pescador José Augusto, irmão de Nadir, lamenta as consequências do desmatamento na região. Comenta que os períodos no Pantanal estão cada vez mais incertos, há falta de água e o ciclo hidrológico está corrompido. “No passado se preparavam para plantar, esperando o momento que era sempre certo. Hoje já não se sabe mais de nada dos períodos. Estão desmatando tudo pra lavoura”.

Com pesar nas palavras, José Augusto relata práticas proibidas feitas pelos fazendeiros, que acabam por condenar a vida no Pantanal. “No Salobrinha tem fazenda que planta arroz, joga veneno e despeja no rio. Se pegam profissional com peixe fora de medida, prende barco, motor, o pescador e cobram multa de dois a cinco mil reais. Enquanto nas fazendas do lado, é só desmate e ninguém faz nada. A máquina trabalha dia e noite a cinco quilômetros do posto da polícia florestal na BR 262, mas não fazem nada. E se alguém liga para dizer que o pescador está com peixe fora da medida, a polícia vem com viatura e arma na mão”.

 

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