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‘Livro verde’ do BNDES trará dados sobre operações de 2001 a 2016

Objetivo é dar mais transparência e perspectiva histórica ao papel do banco

Foto: Pilar Olivares (Reuters)
Publicado em 11 de julho de 2017 às 15:30 Compartilhar:

Via O Globo
Por Danielle Nogueira

Alvo de investigações da Polícia Federal e de auditorias do Tribunal de Contas da União, o BNDES deve lançar esta semana seu “livro verde”, uma compilação de dados sobre as principais operações realizadas pelo banco entre 2001 e 2016. Segundo Paulo Rabello de Castro, o documento trará não apenas detalhes sobre as transações, mas também um contexto do papel do banco, incluindo a criação dos chamados “campeões nacionais”, como a JBS.

A política dos campeões nacionais se refere à estratégia do BNDES de criar multinacionais para competir globalmente. Foi um traço marcante na gestão de Luciano Coutinho, que comandou o banco entre 2007 e 2016.

— Escolhemos esse recorte de 2001 para cá por se tratar do novo século. O livro verde vai contar esses 15 anos de história, que só enaltecem a qualidade técnica da instituição. É mais um passo em direção à transparência — disse Paulo Rabello.

Polêmica dos juros

A expressão livro verde faz referência a documentos que buscam dar informações e contexto à atividade de uma instituição. O do BNDES foi uma promessa feita por Paulo Rabello, quando assumiu a presidência do banco, em 1º de junho. Recentemente, o TCU decidiu iniciar uma auditoria das operações do banco, sem especificar o período ou o escopo, para dimensionar o impacto dos empréstimos na economia.

Em Brasília, o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, afirmou ontem (9/07) que dentro do governo não há qualquer discussão para mudar o projeto que cria a Taxa de Longo Prazo (TLP), que passará a ser usada em empréstimos do BNDES a partir de 2018, com objetivo de reduzir o crédito subsidiado às empresas.

Oliveira defendeu ainda que o BNDES é um “transatlântico” que não muda suas políticas operacionais “da noite para o dia” e que o atual presidente continuará o trabalho deixado por sua antecessora, Maria Silvia Bastos Marques.

— Dentro do governo não há discussão a respeito disso, a respeito de mudança (na TLP). Dentro do governo, estamos todos plenamente de acordo e estamos trabalhando juntos para fazer a proposta passar (no Congresso Nacional) — disse Oliveira em entrevista à Reuters.

Hoje, a referência na maior parte dos empréstimos do BNDES é a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que está em 7%. Como a Selic, taxa básica de juros, está em 10,25%, boa parte do crédito concedido pelo banco é subsidiado. A mudança na taxa, que depende de aprovação de medida provisória, foi anunciada no fim de março.

Essa mudança não é bem vista por uma parcela do empresariado, o que elevou a pressão sobre Maria Silvia e culminou com sua demissão em 26 de maio. Semana passada, dois diretores do BNDES que haviam sido convidados por ela deixaram o banco, após declarações de Paulo Rabello à imprensa de que poderia rever a fórmula da TLP.

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