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Rumo ao Pantanal

Dois jovens jornalistas, com poucos recursos, compartilham os desafios de realizar um mochilão para pesquisas no Pantanal

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Publicado em 10 de abril de 2016 às 19:54 Compartilhar:

Por Guto Akasaki e Thaiany Silva.

Preparar as máquinas fotográficas, os bloquinhos de anotações e os frascos com protetor solar não são suficientes para encarar uma jornada pelo Pantanal. É necessário muito mais que esses itens. É fundamental ter coragem, resistência e muito planejamento. Conselho que deixamos para qualquer acadêmico que deseja encarar os desafios de realizar um trabalho de conclusão de curso (TCC), em lugares repletos de belezas naturais. Lei de Murphy? Ajuda divina? Sorte? Vamos compartilhar ao longo de alguns textos, como conseguimos sobreviver a uma verdadeira odisseia e contar como o sacrifício de fazer um mochilão para o Pantanal vale a pena, apesar de todos os desafios.

Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul – também conhecida por Cidade Morena – é o ponto de partida da nossa aventura. Geralmente, a viagem até a região pantaneira pode ser realizada de carro ou ônibus. Utilizamos a segunda opção, porque estava mais acessível as nossas condições financeiras.

Na rodoviária municipal, as plataformas de embarque estavam tranquilas e muito antes das  6h30min, horário de partida do primeiro veículo, já estávamos lá com nossas mochilas equipadas, prontos para seguirmos rumo à planície pantaneira. No entanto, antes mesmo da jornada tomar forma, o primeiro obstáculo surgiu. Levamos pouco dinheiro em espécie e a máquina que processava os cartões de crédito e débito simplesmente parou de funcionar.

Por alguns instantes, tomados pelo pessimismo, tivemos a sensação de que não embarcaríamos. O desespero tomou conta de nossas mentes e, apesar de estar velado aos estranhos , era muito perceptível para nós. Afinal, anos de convivência foram capazes de criar uma sintonia nas trocas de olhares e diagnosticar rapidamente as inquietações.

 

 

Após várias tentativas, com cartões diferentes, finalmente conseguimos adquirir as passagens e a sensação de alívio transbordou naquele instante. Celebramos o momento com alguns goles de café. O aroma da bebida foi potencializado pela satisfação em saber que – aos trancos e barrancos –  chegaríamos ao nosso destino final.

Seguimos até a zona de embarque, realizamos as identificações pessoais, das bagagens e finalmente subimos na condução razoavelmente lotada. Não há muitas recordações das pessoas que estavam à nossa volta, pois naquele horário era bastante comum os passageiros “capotarem” de sono.  Pelo caminho observávamos as belas paisagens que, em determinados momentos, se tornavam conflituosas. Terras devastadas tão próximas das obras da natureza, distribuídas ao longo rodovia BR-262.

Divididos entre os contrastes proporcionados pelos campos às margens da estrada – que devido a nossa ansiedade, nos parecia infinita – seguimos com destino a cidade de Corumbá. Conhecida como capital do Pantanal ou Cidade Branca, ela recebe essas denominações por causa a cor clara de sua terra ocasionada pelo alto teor de calcário. A viagem feita de ônibus proporcionava uma visão parcial do trajeto, pois só conseguíamos observar as características naturais da região durante as paradas feitas pelo motorista, para embarque e desembarque de passageiros à beira das estradas.

Pouco mais de 450 quilômetros nos separavam da cultura do homem pantaneiro, que levou séculos para se construir e algumas décadas para ser esquecida. Percorremos o caminho deixando para trás as imensas armações de concreto que invadiam o céu e desafiavam a natureza, elementos símbolos das cidades modernas. Partimos em busca de uma realidade paralela, a fim de estabelecer uma ligação entre o homem e a natureza. Uma relação cujos valores são impossíveis de serem mensurados.

Este foi só o começo da nossa jornada rumo ao Pantanal, muitas aventuras, grandes desafios e surpresas ainda estão por vir.

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