Menu
Receba novidades no seu email

Pantanal: casas adaptadas para eventos climáticos extremos

Foram quatro casas construídas no período de 20 dias pela Ecoa junto a Associação de Moradores da Barra do São Lourenço

foto_casas_andre-45
Publicado em 14 de junho de 2017 às 20:06 Compartilhar:

- Casas adaptadas elevadas em palafitas contêm sistema para captação e tratamento de água; paredes, piso e telhado com placas de material reciclado e à prova de fogo;

- Os módulos são desmontáveis e facilmente transferíveis de acordo com as necessidades dos moradores;

- O Projeto é resultado de uma longa pesquisa feita por um grupo de jovens arquitetos, dentre eles Juliano Thomé e Bruno Pasello.

 

Moradias adaptadas elevadas em palafita contêm sistema integrado para captação e tratamento de água, paredes e telhado com placas modulares de material reciclado e à prova de fogo. A construção das casas é uma demanda da Associação de Moradores da Barra do São Lourenço, executada pela Ecoa junto a comunidade, que está localizada no município de Corumbá, na região da Serra do Amolar, e pode ser alcançada somente por barco, em viagens de até 30 horas. O projeto é resultado do Plano de Mitigação, Adaptação a Eventos Climáticos Extremos no Pantanal, elaborado em 2015.

Casa adaptada na Barra do São Lourenço. (Foto: André Siqueira)

O sistema construtivo incorpora a proposta de ‘casa conceito’, utiliza tecnologias sustentáveis e de baixo custo, que propiciam melhor qualidade de vida às famílias, além de outros incomensuráveis benefícios. É resultado de um longo processo de pesquisa, particularmente, sobre os materiais mais adequados e resistentes às condições ambientais da região. Um estudo feito por um grupo de jovens arquitetos, dentre eles Juliano Thomé e Bruno Pasello.

As construções contemplam mecanismos adequados para fazer frente aos eventos climáticos extremos e outros fenômenos naturais da planície. Na comunidade da Barra do São Lourenço, dezenas de famílias são condicionadas a uma série de riscos à moradia, ao trabalho e à saúde. A região sofre alterações devido à erosão marginal e, principalmente, as cheias extraordinárias.

A elevação das moradias em palafitas, sistema construtivo apropriado para regiões tropicais de pulso de inundações, compõe os mecanismos de adaptação da casa ao ambiente da comunidade. Além disso, a elevação evita a presença de animais, especialmente, nos períodos de cheia no Pantanal.

Para as paredes, os pisos e as telhas, são utilizadas placas feitas de tubo de pasta de dente reciclado e à prova de fogo. Estas, também são desmontáveis e facilmente transferíveis, para servir a situações de mudanças ambientais extremas. O uso de materiais de longa durabilidade, em conjunto aos fatores da cor clara e aspecto reflexivo das placas, permite a barragem do calor e proporciona melhor sensação térmica, dado que a temperatura da região ultrapassa muitas vezes os 40°C.

Moradores em frente à sua nova casa na comunidade (Foto: André Siqueira)

Dentre os mecanismos essenciais para garantir qualidade de vida às famílias, o telhado inclinado, sem amianto, permite a captação de água da chuva e, no sistema integrado com a caixa d’água, a reserva a ser tratada para consumo. Este mecanismo é necessário, principalmente, no período da decoada. O fenômeno natural é comum nesta região no período de cheia e, todos os anos, a água fica imprópria para o consumo das famílias, sendo frequente a ocorrência de diarreia nas crianças.

Em todas as aberturas da casa, como portas e janelas, são utilizadas telas de nylon, para prevenir a presença de mosquitos, frequentes, sobretudo, no período de cheia no Pantanal. Além disso, evita o uso da fumaça, proveniente da queima de combustível na intenção de afastar os insetos, e que consequentemente causa danos à saúde respiratória dos moradores.

Família em nova casa construída pela Associação de Moradores (Foto: André Siqueira)

Família em sua nova casa adaptada  (Foto: André Siqueira)

Na comunidade, foram construídas quatro casas no período de 20 dias, sendo duas na localidade denominada Aterro do Binega, área que mediante outorga coletiva pelo Termo de Autorização de Uso Sustentável (TAUS), possibilitou a ordenação do uso racional e sustentável dos recursos, visando à edificação das residências. O papel da Ecoa é o de articular as comunidades para garantia de seus direitos, fundamentais nos processos de conservação ambiental.

E, para a concretização do projeto, somam-se importantes apoiadores: Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público Federal (MPF), Receita Federal, Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e Departamento de Geografia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – Câmpus Pantanal (UFMS/CPAN).

Compartilhar: